A dor e o engano da compulsão

15/05/2026

Regiane Campos

A compulsão, ao meu ver, é uma tentativa desesperada de escapar da realidade. Eu sugiro que você leia o meu livro Histórias que Curam e Fé que Permanece, talvez compreenda ainda mais profundamente o que escrevo neste momento.

Sempre fui uma pessoa responsável. Nunca tive vício em nada. Mas o uso de um medicamento para a condição que enfrento desencadeou em mim uma compulsão pelo jogo. A dose do remédio foi reduzida, e a compulsão diminuiu, mas deixou sequelas emocionais profundas.

Percebi que, sempre que enfrento situações que fogem do meu controle, surge também a tendência de buscar novamente essa prática destrutiva. E foi justamente nesse processo que descobri algo doloroso: muitas vezes, a compulsão nasce da tentativa da velha versão de nós mesmos querer controlar aquilo que não consegue entregar a Deus.

Buscar refúgio em qualquer fuga traz apenas um alívio momentâneo. Depois vêm a culpa, o vazio, a dor e o arrependimento — sentimentos quase insuportáveis para quem está preso nesse ciclo silencioso.

Talvez você esteja vivendo algo parecido agora.

Talvez exista dentro de você uma luta escondida, uma dor que ninguém vê. Talvez você esteja fazendo algo que sabe que lhe destrói, mas continua porque, por alguns minutos, aquilo anestesia sua realidade.

Mas eu preciso lhe dizer algo: não enfrente isso sozinho.

Fale. Compartilhe. Peça ajuda. Ainda que o medo do julgamento tente calar você, não permita que o silêncio o afunde. O que você não fala, o que você não libera, acaba controlando sua vida.

Eu tive recaídas. Sei exatamente como é querer parar e não conseguir. Sei como é a dor de lutar contra algo que parece maior do que a própria força de vontade.

Por isso, tenha paciência consigo mesmo. Cerque-se de pessoas que saibam acolher sem condenar. Pessoas que estendam a mão em vez de apontar o dedo.

E, acima de tudo, não desista de você.

Existe vida depois da dor.
Existe esperança depois das recaídas.
Existe cura para aquilo que hoje parece impossível.

Foi justamente da minha dor que nasceu a minha voz.

No blog A Dor que Me Deu Voz, compartilho verdades que muitas vezes escondemos por vergonha, mas que precisam ser trazidas à luz para que a cura comece. Aqui você encontrará reflexões sinceras, fé em meio ao caos e histórias reais de alguém que continua lutando — um dia de cada vez.

Se este texto falou com você, permaneça comigo nessa caminhada. Talvez sua dor também esteja tentando lhe dar uma voz.

Regiane Campos

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