Aquietar no Momento da Dor

19/04/2026

Regiane Campos

Muitas vezes, nos momentos mais difíceis de dores físicas e emocionais que atravessei, busquei subterfúgios para aliviar aquilo que parecia insuportável. Procurei refúgio em pessoas, em distrações, em tentativas rápidas de silenciar o que gritava dentro de mim.

E, pela minha experiência, aprendi que, nos períodos mais sombrios, esses alívios até amenizam por um instante…
Mas não curam.
O próximo episódio sempre vinha — e, muitas vezes, mais forte.

Com o tempo, entendi que os momentos mais difíceis são, na verdade, convites ao aquietar.
Convites para silenciar o barulho externo, para me ouvir, para ouvir o Criador.
Convites para parar.

Aprendi que o “não fazer nada” também é uma forma de cuidado.
Também é cura.
Também é fé.

Há dores que não são para serem explicadas.
São para serem atravessadas.
Sentidas.
Vividas.

Aquietar não é desistir.
É confiar.

É reconhecer que nem tudo precisa ser resolvido na pressa, na força ou no controle.
É permitir que o tempo, o silêncio e a presença de Deus façam o que nossas mãos não conseguem.

Aquietar requer exercício.
Exige coragem.
É um aprendizado de quem decide se amar de verdade.
De quem está disposto a olhar para dentro, a mergulhar mais fundo em si mesmo, sem fugir, sem máscaras, sem atalhos.

Porque é nesse lugar de silêncio, entrega e verdade que a alma encontra descanso.
E a dor, aos poucos, encontra sentido.

Regiane Campos

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