Muitas vezes, nos momentos mais difíceis de dores físicas e emocionais que atravessei, busquei subterfúgios para aliviar aquilo que parecia insuportável. Procurei refúgio em pessoas, em distrações, em tentativas rápidas de silenciar o que gritava dentro de mim.
E, pela minha experiência, aprendi que, nos períodos mais sombrios, esses alívios até amenizam por um instante… Mas não curam. O próximo episódio sempre vinha — e, muitas vezes, mais forte.
Com o tempo, entendi que os momentos mais difíceis são, na verdade, convites ao aquietar. Convites para silenciar o barulho externo, para me ouvir, para ouvir o Criador. Convites para parar.
Aprendi que o “não fazer nada” também é uma forma de cuidado. Também é cura. Também é fé.
Há dores que não são para serem explicadas. São para serem atravessadas. Sentidas. Vividas.
Aquietar não é desistir. É confiar.
É reconhecer que nem tudo precisa ser resolvido na pressa, na força ou no controle. É permitir que o tempo, o silêncio e a presença de Deus façam o que nossas mãos não conseguem.
Aquietar requer exercício. Exige coragem. É um aprendizado de quem decide se amar de verdade. De quem está disposto a olhar para dentro, a mergulhar mais fundo em si mesmo, sem fugir, sem máscaras, sem atalhos.
Porque é nesse lugar de silêncio, entrega e verdade que a alma encontra descanso. E a dor, aos poucos, encontra sentido.

